segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Porque É Que...?

Porque é que o design das embalagens dos produtos de consumo do dia a dia, aqueles que compramos nos supermercados, não é todo bonito, moderno e clean? Não se compreende...

Eu adoro embalagens bonitas. Muitas vezes compro um produto mais caro, para ter a embalagem que gosto e depois vou recarregando com o que costumo comprar. Ou compro embalagens de vidro sem rótulo e despejo os produtos lá para dentro. Manias! Faço isto porque gosto de abrir os armários e o frigorífico e ver embalagens que podiam estar em exposição, aquelas que normalmente vemos em produtos gourmet. 

Ando desconfiada de que as mesmas marcas fazem propositadamente duas linhas de produtos: uma com embalagens feias (tendo eles noção disso) e mais baratas, e outra linha supostamente "gourmet" com uma imagem cuidada onde se esticam no preço, só porque é mais bonita. Na verdade o custo de ter um designer a fazer coisas giras ou feias é o mesmo. O jogo de cores utilizadas, grafismo e tipo de letra é que fazem toda a diferença. E muitas vezes o conteúdo não difere assim tanto em qualidade. Acreditem!

Hoje qualquer pretexto parece servir para adjectivar produtos como gourmet. E se lhe acrescentarem um conjunto de palavras que soem a qualquer coisa caseira ou técnica ancestral, melhor. Tudo para nos fazerem pensar que as coisas são mais especiais do que na verdade são.  A propósito disto lembro-me de uma cena da série Mad Men, onde Donald Drapper tentava encontrar uma assinatura para a marca de cigarros Lucky Strike e perguntou ao cliente (os senhores da Lucky Strike) como era feito o tabaco. Um deles começou a descrever e a certa altura disse "is toasted". Drapper escreve no painel por baixo do nome da marca "is toasted" e sublinha, como que sugerindo ser aquela a assinatura escolhida. Nisto, o senhor da tabaqueira mostra-se admirado dizendo "mas todo o tabaco é torrado?!" Drapper disse-lhe simplesmente "mas o vosso é que diz que é torrado" (tipo quem diz é quem é!!). Como se aquilo fosse algum toque de originalidade no processo que lhe desse um gosto diferente em relação às outras marcas, porque na verdade a maioria das pessoas não sabe como é feito o tabaco!

Isto para dizer que não compreendo porque esta diferenciação visual/ gráfica entre produtos "gourmet" e "normais", porque muita da diferença passa pela maneira como nos fazem crer que são diferentes. Com tanto investimento que a maioria das marcas que vende em grandes superfícies gasta em anúncios, não seria por falta de dinheiro que não fariam embalagens mais bonitas. Para dizer a verdade, muitas vezes experimento produtos novos antes de ver a publicidade, o que significa que não compro pela publicidade, mas sim pela diferenciação no ponto de venda (mas isso sou eu).

Porque é que não há escovas dos dentes todas pretas? Ou prateadas e douradas? Porque é que são todas fluorescentes e coloridas? Porque é que as embalagens de sumos parecem papel de fantasia? Porque é que as embalagens de leite não são mais clean?  E os enlatados, com aqueles rótulos de papel a imitar que estamos a ver o conteúdo da lata sempre os mesmos desde que me lembro? Bem... os porquês são tantos que não saía daqui.

Melhor é darem uma vista de olhos nas imagens de como eu gostava que fossem  todos produtos de consumo básico à venda no supermercado. E todas as dispensas e frigoríficos pareceriam outros!








































Créditos de Imagens: Pinterest

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

5 Coisas que Desejo

Com o Natal a chegar a alta velocidade, ainda não tinha pensado no que gostaria de receber. Uma prenda  já recebi, antecipadamente do meu querido João, um iPhone branquinho. Eu não queria, acreditem... não ligo nenhuma a telemóveis. Desde que dê para mandar mensagens e telefonar, está perfeito para mim. Mas pronto, até dá jeito ter o e-mail a jeito e tal. Ele achava que o meu telemóvel não condizia comigo e que um iphone, além de ser um objecto de culto, ia dar-me muito jeito. E prometi a mim mesma não praticar "phoabing".

Continuando, além deste presente antecipado e inesperado, o que é que me alegraria o coração? Bem... coisas para a casa. Acho que estou sempre a precisar de coisas para a casa como se tivesse acabado de me mudar. Ou porque os talheres de uso corrente já estão a ficar com mau aspecto para as visitas, ou porque a cadela estragou a carpete quando era bebé (era o sítio favorito para roer e para cocós e xixis até eu deitar aquilo fora porque já estava tudo manchado de lixívia) ou é porque os pratos também já estão meio fanados, ou porque, ou porque... Enfim, familiares que me estiverem a ler que queiram contribuir com um prato e um talher (sim porque aqueles pratos e aqueles talheres que gosto não são baratos) sintam-se livres para me oferecer, ou um vale de compras, que também serve.

Pronto, é esta a minha lista meus Pais Natal....


1. Faqueiro ORO VIEJO Zara Home - já desejo este faqueiro nem sei há quantos anos
2. Serviço de Cerâmica ORNAMENT Vista Alegre 
3. Cheirinhos para a casa OUTONO FLEUR d'ORANGER
4. Candeeiros de cabeceira RANARP Ikea
5. Carpete para a sala 170 x 240 cm ALVINE RUTA Ikea

Não é tudo lindo?!!

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Da Criatividade

Hoje estou naqueles dias em que me sinto mesmo grata, por perceber que aquilo que faço vai tendo o seu valor. Ser criativo, tal como todas a profissões, tem aqueles momentos chave, em que uma decisão pode ser o sucesso ou o fracasso de um processo. 

Pediram-me para criar uma marca, relacionada com arranjo de bicicletas. Mostraram-me umas propostas que já tinham, de outro colega designer e, como não era aquilo que tinham em mente, procuraram-me, dando-me o voto de confiança de que eu iria superar um trabalho que já tinha sido feito. E eu, descrente da minha capacidade, disse-lhes que não sabia se iria conseguir fazer melhor. Porque acho que fazer logos não é aquilo que faço melhor. Acho que cada um deve reconhecer as suas limitações. Prefiro criar milhentas outras coisas.

Lá fui, descrente, mergulhar no universo das bicicletas, para tentar ver uma luz ao fundo do túnel, tentando perceber como havia de pegar naquilo de uma maneira diferente da que já tinham apresentado e procurando a minha maneira. Horas sem fim, a tentar encontrar uma ideia que servisse como a primeira peça do puzzle. Pensei muitas vezes que não ia conseguir. Rabisquei umas ideias que não davam em nada. Perdida num mar de hipóteses vagas e dispersas.

Mas como em tudo, cheguei ao fundo e quando estava desesperada a pensar que nenhuma ideia emergia, que não havia nada que eu encontrasse para pegar, ser original e conseguir surpreender, pensei para mim que não era uma desistente. Que era ridículo estar sequer a colocar a hipótese de não apresentar o quer que fosse. Recriminei-me por estes laivos de cobardia e fraqueza se terem apoderado dos meus pensamentos. 

Respirei fundo e pus um ponto final naquele espírito derrotista. Meti a cabeça em ordem e foquei-me na ideia de que tinha, e ia conseguir e ia deixar-me de mariquices. E, curiosamente, no imediato segundo seguinte, faz-se luz, visualizo uma imagem, um esboço mental daquilo que viria a ser a minha proposta. Começo a desenhar o simbolo, depois a encontrar a fonte e por fim, um toque final de um elemento que os clientes gostavam que tivesse. E finalizo o logo.

Proposta enviada, proposta aceite. Adoraram! Tiro certeiro!

"O teu logo transmite mesmo aquilo que tínhamos em mente", disseram!

Moral da história: Nunca deixem de acreditar de que são capazes, mesmo nos momentos de maior fraqueza. Não me envergonho de os ter, porque são estes momentos que nos fazem repensar, ganhar fôlego e a reunir forças que estavam lá e não sabíamos. É curiosa a força que os maus pensamentos têm na clareza das ideias. E agora rio-me de mim própria por ter pensado desde o início que não ia conseguir. 

Que parva que sou... 

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Projecto Mercadinho

Adoro mercados, adoro coisas menos mainstream, adoro coisas de ar artesanal, adoro coisas vintage, adoro coisas com arte, adoro artes manuais, adoro gente que cria coisas giras.
Por tudo isto, sinto que, pelo menos aqui no Algarve, temos uma lacuna no que diz respeito a mercados que sejam orientados para criativos e pequenas marcas que fazem coisas em quantidades reduzidas. 

Já andava com a ideia de, de alguma maneira, tentar organizar um mercado (não sabendo bem como). Mas, foi com a ida a Londres, onde vi tanta gente talentosa a expor as suas coisas e tanto mercado com bom ar por todo o lado (ainda por cima mercados diários), que a ideia de avançar com o projecto ganhou uma força decisiva: Vou mesmo organizar um mercado (disse para mim)!

Posto isto, como achei que a coisa era um bocado fora de pé para quem nunca nadou nestas águas, contactei a Teia d'Impulsos, uma "Associação Social, Cultural e Desportiva", criada em Portimão para dinamizar as actividades de lazer da população, para que, em conjunto, concretizássemos tal evento. E sabem que mais? Eles gostaram da ideia e parece que isto vai para a frente!

Para já, ainda não há nada em concreto, mas acredito que vamos conseguir fazer o melhor e mais original mercado do Algarve. Na minha cabeça já tenho um rol de projectos de pessoas que conheço que gostaria de convidar para expor. Também gostava de trazer marcas que são de fora do Algarve até cá, porque de outra forma nunca cá chegam. 

Gostava que este mercado fosse mesmo em bom, com bancas cheias de bom gosto, simples, mas muito cuidadas. Gostava que este mercado elevasse aquilo que é feito à mão, a um nível superior ao que é industrial e, por isso, banal. Gostava que cada banca fosse uma surpresa agradável para os visitantes. Gostava muito que quem participasse tivesse a mesma vontade que eu, ou mais ainda, de fazer um mercado fora de série.

Assim, meus amigos, já sabem: Quem tiver um projecto giro que gostasse de levar ao mercado, ou quem conhecer pequenas marcas que gostasse de ver expostas, manifeste-se na caixa de comentários.

Vamos dar vida às cidades, através destas pequenas iniciativas! Vamos concentrar-nos em projectos que acrescentam algo de novo e de diferente! Vamos concentrar-nos em renovar hábitos e em cultivar o consumo de coisas da nossa gente! Vamos encher mais as ruas da cidade! Vamos!... E mais um pouco escrevo um manifesto.

Ficam algumas imagens de tipos de coisas que gostava de ver neste mercado: